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Oiie!

Não devemos por rótulos nas pessoas. Cada um é mais do que aparenta e menos do que dizem. O preconceito é o grande mal da humanidade.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

# Contos: Último Desejo



Ela estava parada na frente da porta da casa dele. Já havia uns 15 minutos que havia chegado e ainda o esperava. Não quis bater na porta, apenas ficou ali. Sentada no degrau esperando por ele.

Três minutos depois ela o viu dobrar a esquina com um amigo. Então seu coração acelerou. Os dois garotos estavam rindo e conversando. Ela se sentiu estúpida por ter esperado por todo esse tempo, mas era ele e ela tinha certeza de que agora iria até o fim.

Quando ele se aproximou ela ficou de pé.

- Preciso falar com você... - Ele a olhou surpreso. Nunca havia escutado esse tom de seriedade e preocupação na voz dela. Podia perceber também que ela estava nervosa. – À sós. – Ela continuou.

- Tudo bem... – Ele disse se dirigindo ao amigo: - Falo com você amanhã mano, beleza?

- De boa! – O amigo respondeu e continuou andando.

- O que você está fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa? – Ele perguntou casualmente.

- Eu não posso explicar agora, mas se eu te pedisse pra realizar meu último desejo você faria?

- Como é? – Ele perguntou perplexo – Que conversa é essa garota?

- Você faria?

- Faria o que?

- Se eu te dissesse que vou partir amanhã e que meu último desejo é um beijo seu, você me daria?

Ele não respondeu. Apenas a olhou confuso.

Ela não falou nada, apenas esperou pela sua resposta.

Depois de algum tempo, ele disse:

- Eu sempre te achei meio estranha, mas isso é demais! Vai pra casa que é o melhor que você faz!

Ele entrou em casa e olhou para ela parada de pé em frente a sua porta antes de fechá-la.

No dia seguinte, ele foi para a escola e depois de um tempo percebeu que a garota não estava presente. Perguntou para seus colegas e ninguém sabia dizer o que tinha acontecido. Então, resolveu perguntar a um professor e este lhe disse:

- Ela foi fazer intercâmbio. Vai passar um ano na França.

Ele ficou assustado com aquela notícia, mas não deu muita importância.

O ano letivo terminou e no ano seguinte a garota não havia voltado pra escola. Provavelmente teria mudado de colégio. No outro ano, cada aluno entrou para uma faculdade diferente e a maioria deles perdeu contato. Nem nos encontros de ex-alunos do colégio era a mesma coisa.

Mas os anos passaram e ele nunca mais soube da garota, até o dia que um carteiro chegou com uma correspondência do exterior.

Ele abriu, curioso para saber do que se tratava. Então viu uma carta datada de três anos atrás. Nela dizia:

“Querido Ítalo,

Eu espero que você esteja bem. Você provavelmente não se recorda mais de mim. Mas com certeza deve se lembrar daquele dia, na porta de sua casa, em que pedi que me concedesse um último desejo. Bem, eu já estava com tudo pronto para me mudar para França. Mas eu não queria vir. Não se você me dissesse que era para ficar. Sinceramente, eu nunca tive coragem para dizer que te amava. Eu guardei o sentimento para mim, pois não sabia se você gostava de mim. E, naquele dia, cheguei à conclusão que não. Eu não iria aguentar viver mais tendo que te ver todos os dias sem ser notada. Te amando loucamente em segredo. Eu não suportaria ver você rir de mim, achando que era louca. Então eu vim para cá. E desejei todos os dias que você pudesse estar ao meu lado. Acordar cedo nas manhãs frias, jantar no sofá vendo TV, brigar por não pagar a conta de luz. Mas sempre que pensava em você, logo as imagens do seu rosto, sua boca, seu cabelo e suas mãos, eram substituídas por você fechando a porta na minha cara. Mas eu não te culpo. Eu te perdoei, há muito tempo. Eu não sei se você está casado, se já tem filhos, no que você se formou, se trabalha. Eu não sei nada de sua vida, eu não faço parte dela. E nem você faz da minha. Mas eu só queria que você soubesse que todo esse tempo eu te amei. E, independente do que aconteça, continuo te amando. Todos os dias da minha vida. Um grande beijo. Michele.”

Ao terminar de ler a carta, seus olhos estavam marejados e seu coração batia apressadamente.

No dia seguinte, ele desmarcou todos os compromissos no emprego e disse que precisaria fazer uma viagem urgente. Ele viajou por horas, e finalmente encontrou o endereço da carta.

Chegando lá chamou, mas a senhora que saiu de dentro da casa disse que não conhecia nenhuma Michele. Quando ele já estava indo embora, se dando por vencido, um homem veio até ele.

- Você está procurando por Michele Brito?

- Isso! Você a conhece?

- Conhecia...

- Qual é o seu nome?

- Ah, claro. Me chamo Peter!

- E... você era namorado dela?

- Como se ela tivesse me dado chance. Nenhum de nós foi páreo para um tal de Ítalo aí... – Mas como você disse que se chamava mesmo?

- Alan! Alan Ferreira! Sou primo de Michele!

- Ah, claro! Eu vou te levar até onde ela está.

Os dois entraram num carro e algum tempo depois pararam em um cemitério.

- Eu... Eu não entendo... – Ítalo sussurrou confuso.

- Jura? – Peter disse indiferente.

Eles caminharam até que Peter lhe apontou uma lápide com o nome de Michele Brito.

- Ela... Ela... Está... Morta?

- Demorou um pouco pra cair a ficha hein companheiro?

- Muito obrigado! – Ítalo disse enquanto saia do cemitério triste e confuso.

Anos depois.

- Onde Catarina está? – Ele disse arfando. Estava com pressa.

- Catarina de quê, senhor? – A recepcionista do hospital respondeu.

- Ferreira! Catarina Ferreira!

- Quarto 512.

- Obrigado! – Ele atravessou as portas correndo quase se esbarrando com uma porção de enfermeiras que brigavam com ele por correr dentro do hospital.

Ao chegar no quarto ele avistou as duas. Pareciam extremamente lindas. Ele sorriu largamente e beijou a testa de Catarina.

- Uma menina... – Ele admirou a criança, beijando também na testa – Desculpe não ter chegado mais cedo – Ele falou para a esposa.

- Tudo bem, eu entendo. O importante é que você está aqui, agora.

- E nunca vou sair do lado de vocês!

- Que tal escolher o nome, papai!

- Não precisa. Eu já sei! Diz “oi” pra mamãe, Michele!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

- Diálogo


- Mas amiga vocês não tem nada em comum: não gostam das mesmas músicas; não curtem os mesmos tipos de filme; Nem sequer estudam na mesma escola...

A outra não respondeu, então a primeira continuou:

- Vocês não vão ter assunto pra conversar e logo vão enjoar um do outro. Pra que insistir nisso mesmo?

- Porque eu simplesmente não consigo parar de pensar nele. Porque quero estar com ele todo o tempo e quando não estou, o tempo parece não passar, o ar fica pesado, difícil de respirar. Porque com ele posso ser eu mesma e ele me faz sentir especial. Porque é divertido estar com ele, faz eu me sentir bem. Tá bom ou ainda precisa mais?

Depois de um tempo em silêncio a amiga respondeu:

- Tá perfeito!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Uma varanda, uma cadeira de balanço e um caderno velho - Parte II


- Homens não choram! Homens não choram!

Sussurrava repetidamente para si enquanto tentava conter as teimosas lágrimas que insistentemente lhe escapavam dos olhos.

- Eu prometi a mim mesmo que não iria chorar!

Era sempre a mesma coisa! Um ano tentando esquecer e um dia em que tinha que desmoronar.

No começo era mais difícil, doía mais. Com o passar do tempo ele foi se habituando à dor.

Quem visse de longe poderia até dizer que eram amigos.

No início, ele não acreditou, mas quando a dor veio, mostrando que tudo era real, ele a aceitou de bom grado. E foi sucumbindo a ela.

E nunca olhou para trás!

Pois não saberia se teria coragem de seguir em frente.

Foi num fim de tarde outono. O tempo estava morno e o chão repleto de folhas marrons. Mesmo quando o fim de algo se aproxima, tudo que está em volta demonstra toda a sua vivacidade.

“- Eu preciso de um tempo para pensar!”

Foi a pior frase que ele poderia ter ouvido.

Já havia notado que ela estava diferente, deu espaço, deu tempo a ela.

Mas ouvir isso assim, dessa forma... Era dor demais!

Ele não sabia se poderia suportar.

Voltou para casa arrasado naquela noite.

Não queria crer.

Dia 12/09.

O dia a partir do qual, todo ano ele se desmancharia em lágrimas e dor.

Ele esperou, esperou e esperou por ela.

Passou noites acordado esperando que ela ligasse, e mesmo que não dissesse nada, saberia que seria ela do outro lado da linha.

Mas ela não ligou.

“Provavelmente seguiu em frente... Coisa que eu não consegui fazer!”. Ele pensava.

Foi até a casa dela inúmeras vezes, mas não encontrou coragem para bater na porta.

Teve medo, de dizer que ainda a amava enquanto ela poderia estar casada com outro e com filhos.

Então, fez uma promessa a si mesmo.

Que não amaria nenhuma outra mulher; Que não se entregaria a nenhum outro abraço que não fosse o de sua amada.

E assim ele passou os dias.

E em meio a solidão, dialogava consigo mesmo.

Mas um dia, sua loucura se tornou patologia.

E a única herança que deixou, foi uma carta que pediu a seu amigo que entregasse a ela.

A doença ele foi se tornando cada vez mais grave, até que chegou o dia, de sua alma se reunir com os anjos. Como prometido, seu amigo entregou a carta à moça. A carta dizia:

Lúcia,

Sei que se essa carta chegou em suas mãos, é porque eu jamais poderei te ver novamente. Lamento fazê-la perde seu tempo comigo, mas não poderia morrer em paz se você não souber disso: EU TE AMO!

Eu sempre te amei, Lucy!

Mas, por alguma razão, você não me quis mais.

Eu não lutei, Lucy, mas não por falta de amor, mas por aceitar viver sem você, se fosse isso que você realmente queria.

Eu te esperei... Durante cada dia, minuto, segundo da minha vida.

Mas você não veio.

Lucy, espero que você seja muito feliz com a sua família (eu espero que você tenha uma), que te ama muito! (Assim como eu!)

Agora, Lucy, eu vou continuar te esperando, para que um dia, nós possamos, enfim, ficar juntos.

Com amor, Tom.

Ela não chorou, apenas dobrou a carta e a guardou. Voltou para sua casa e sentou-se em sua cadeira de balanço. E a partir desse dia, passou a implorar que Deus a levasse; que a morte não demorasse a chegar, para que pudesse se reunir pela última vez, e para sempre, com o homem que amou a sua vida inteira.

Uma varanda, uma cadeira de balanço e um caderno velho.


E de repente, a sonhadora acorda de um sonho de quase 20 anos. Um sonho que sonhou acordada, por sua vida inteira. E então chegou a seguinte conclusão.

Ele não voltará.

Isso parecia tão óbvio agora. Como ela não pode perceber antes? Mas ainda assim perguntas incaláveis rodopiavam pela sua mente. Uma delas era:

Por que ele não me impediu?

Certa vez, no ápice de seu desespero desvairado, a heroína desconhecida caminhou até a ponte mais alta que havia naquela cidade. E ameaçou se jogar, esperando que, no último minuto, ele viesse resgatá-la. Mas ele não apareceu. E não lhe faltou vontade de fazê-lo, mas não houve coragem. Decidiu que não valia à pena... morrer assim, por alguém que nem sequer, tinha se dado ao trabalho, de tentar convencê-la a não seguir adiante com seu plano.

Passou a vida inteira se perguntando se não teria sido melhor ter posto um fim em tudo desde o começo. Nunca soube a resposta.

Tudo começou numa tarde morna de outono, que chegava ao fim. A sonhadora, já sem ter certeza do que sentia. Será que gostava de ambos? Perguntava-se, para logo depois, se recriminar por tal pensamento.

Não podia amar dois homens ao mesmo tempo. Pensava. Seria falta de consideração aos sentimentos dos rapazes. Concluía. Mas como ela poderia saber, então, se um estava longe demais para que pudesse alcançar e se não conseguiria mais chegar ao outro se o deixasse partir? Entrava em conflito e pedia a Deus que lhe mandasse uma resposta.

Passado um tempo, decidiu tomar coragem. E tentar se afastar um pouco de tudo e ter uma outra visão. Quem sabe assim compreenderia seus sentimentos. Foi o início de sua sina.

Tudo que a Sonhadora queria, era um amor simples, puro e verdadeiro. Mas tudo que ela encontrava eram escolhas verdadeiramente difíceis. E tudo que deixava era dor, lágrimas e corações partidos. Inclusive o seu.

Eis as palavras que deram início à vida fantasiada da nossa heroína:

- Eu preciso de um tempo para pensar.

Foi só isso. Não precisou mais nada. Ele entendera completamente o que ela queria dizer com aquelas palavras. Ou, pelo menos, pensava isso.

Ele foi se afastando, cada vez mais, na medida que os devaneios da Sonhadora foram se tornando, cada vez mais reais. E ele se foi por completo, passando a existir, somente, na cabeça de uma mulher, que passava dias e dias sentada em uma cadeira de balanço, na varanda de casa – palco da frase devastadora – agora, tão solitária!...

Ela passou meses, até anos esperando. Mas ele não voltou... E as mesmas perguntas rodopiaram pela sua mente.

Por que ele não me impediu?

Por que ele não lutou por mim? Pelo meu amor?

Será que não me amava o bastante para me impedir de deixá-lo?

Será que ele não sabia que eu só queria que ele me roubasse um beijo e pedisse para eu ficar?

Quando, finalmente despertou, a Sonhadora caminhou até uma escrivaninha, pegou seu caderno de anotações e, como se falasse com o papel, perguntou: Tem espaço para uma última história?


Sobre 4 patas


Às vezes fico impressionada como o homem é burro. Não o homem do gênero masculino, mas o ser humano em geral. E tem uns que conseguem ser mais burros que outros. Queria saber se só u acho idiotice trabalhar tanto, ficar juntando tantas coisas bonitas e não aproveitá-las. Até eu, com o pouco tamanho que tenho, sou mais esperta que muitos deles.

Ah! Mas que indelicadeza a minha. Deixe-me começar me apresentando. Meu nome é Ana Mary. Um nome incomum, eu também acho! Mas como vim da França quando ainda não havia completado 2 meses, é compreensível! Eu adoro meu nome! Moro numa casa média, que fica junto de muitas outras casas. Acho que eles chamam isso de condomínio! Adoro brincar na grama – e na areia! – e fico muito contente quando me trazem algum agrado.

Mas agora voltando aos homens... Acho muito interessante a maneira como eles se comportam. Com tantas preocupações, regras...

Para os bichos é tão mais simples e divertido!

Agora, para mim, o que mais deixa os homens alterados são uns papeizinhos coloridos, muito engraçadas, que tem uns desenhos de bichos. Alguns homens ganham muitos papéis como esse, outros ganham pouco, e os que não ganham, pegam os de outros homens.

****

Acho que os homens gostam muito do sol. Porque todos se vestem com umas roupas esquisitas – quase pelados – e saem. Ora bolas! Não era mais fácil estarem sem roupa?

Quando chove todos pegam um objeto para proteger suas cabeças, mas sempre molham o resto do corpo.

Confesso que a chuva me dá calafrios!

Mas mesmo assim, gosto dela!

É tão bom ficar esparramada no chão observando a cortina líquida que se forma na rua, vendo as gotas brincarem nas poças d’água. É um espetáculo tão bonito!

Tenho certeza que os homens nunca param para observá-lo!

Eu adoro poder passear livremente por aí. Sentir o sol em minhas costas, o vento nos meus pelos. Humm... Não há nada melhor! – Mas também adoro me espreguiçar depois de uma soneca! – Acho que os humanos não gostam de usar as pernas! Toda vez que saem de casa é num tipo de brinquedo grande que anda sozinho, mas que se assemelha a uma lata de sardinha. E eles sempre demorar a voltar pois ficam presos no... como é mesmo o nome? Algo com garrafa... Enfim!

Posso notar claramente que existem homens bons, homens maus e aqueles que não são uma-coisa-nem-outra. Apenas tentam sobreviver às dificuldades que a vida lhes impõe.

****

Há homens que vivem brigando e se destruindo. Essa, pra mim, é a sua maior burrice. É tanta vontade de se provar, para os outros e para si mesmo, que acabam pondo em risco, às vezes, a própria vida. Mas a pior de todas as ilusões do ser humano é achar que é melhor que alguém. Que pode pisar e humilhar os outros, por status social.

Uma vez, minha amiga borboleta me contou, que um amigo de uma amiga dela, disse que lááá do alto os grandes... (aquelas coisas que têm uma casinha em cima da outra e parecem tocar o céu) bem, tudo fica pequeno! Mas tão, tão pequeno que não dá pra enxergar! E como o homem pode achar que é grande coisa?

Melhor que minha amiga borboleta? E que as formiguinhas que trabalham tanto...?

Acho que vou desistir de tentar entender os humanos e aproveitar as coisas que eles deixam passar. Tem um céu tão lindo lá fora... todo cravejado de pedrinhas brilhantes. Por quê eles não prestam atenção?? Deve ser por isso que são tão infelizes.

Deus, obrigada por ter me feito gata!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Contos # 3 - Vestido Branco


- Que música você está ouvindo?
- Mulher de fases.
- Essa música parece com você...
- Por que?
- Complicada e perfeitinha, dãã
- Besta! - Empurrei-o de leve

Ri sozinha no meu quarto lembrando daquela noite na praia.
Era aniversário de uma amiga minha, e ela fez um luau.
Era impressionante como ele sempre me fazia rir de besteiras.
Eu estava deitada na minha cama, ouvindo música no meu MP4 - apesar de adolescência ser sinônimo de modernidade, confesso que não acompanho as tendências com tanta velocidade. - e deixando meus pensamentos vagarem na minha mente enquanto eu olhava para o teto do quarto.

O fato é que eu deveria estar estudando, deveria... Mas não havia nada nem ninguém que me fizesse parar de pensar nele.
Então para não ficar frustrada por estar pensando nele quando deveria estar estudando, reservei um tempo só para pensar nele. E percebi como essa ideia era extremamento agradável.
Uma parte do meu dia só para ficar aproveitando o conforto da minha cama, ouvindo minhas músicas preferidas e fazendo o que eu mais gostava de fazer na vida.

Então comecei a sentir sono e entrei num estado que eu já não sabia dizer se era sonho, inconsciência ou se eu simplesmente estava viajando na maionese.
De repente ouvi uma voz que gritava o meu nome. Levantei e olhei pela janela.
Não vi ninguém.
Olhei para trás. Lá estava ele.

- Como você chegou até aqui? - Eu podia sentir meu coração acelerado no meu peito, mas minha voz saiu doce e silenciosa.
- Isso realmente importa? - Sua voz parecia o sopro de um anjo. Fiz que não com a cabeça. - Venha Alice - Ele me estendeu a mão - vamos sair daqui!
- E para onde nós vamos? - perguntei curiosa, mas eu não reconhecia minha própria voz. Parecia o sopro de uma deusa.
- Para onde você quer ir? - Ele me perguntou docemente.
- Para um lugar calmo e bonito.

E de repente lá estávamos nós. No topo de uma colina verde. Com uma árvore grande com muitos frutos. Muitas flores ao nosso redor e uma brisa suave e fresca.
Quando olhei para mim, estava vestida com um lindo vestido branco que se balançava de acordo com o vento.
E ele estava tão lindo com uma bermuda creme e uma camisa branca, como se fosse um verdadeiro anjo caído do céu.

- Era pra cá que você queria vir? - Ele me perguntou enquanto me puxava para mais perto dele, me envolvendo em seus braços. Fiz que sim com a cabeça novamente, respondendo a sua pergunta.

- Isso é um sonho? - Perguntei sem quase ouvir minha própria voz.

- Você quer que seja? - Ele falou enquanto encostava sua testa na minha.

Cheguei um pouco para trás para olhar seus olhos. E depois de um tempo, finalmente perguntei:

- Podemos ficar aqui para sempre?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Contos # 2 - "Toc Toc" ou "Não tenho coragem de te olhar nos olhos"



Larguei o que estava fazendo no computador quando ouvi as batidas na porta.
Estava com uma roupa simples, afinal não pretendia sair durante a tarde daquele dia.
Abri a porta e minha surpresa foi tão grande por saber quem estava do outro lado.

- O que você está fazendo aqui? - Disse quase gritando. Acho que uma mulher que passava na rua pensou que eu estava com raiva pelo olhar que dirigiu a mim.

- Não é uma boa hora? - Ele perguntou com sua voz doce e compassiva.

- Não é que... - Falei baixando o tom de voz, tentando parecer menos "feroz", enquanto me sentava no batente da porta - Eu não estou muito apresentável.

- Que é isso? - Ele falou como se eu estivesse contando alguma piada.

- Você ri?

- Jamais!

Ele se sentou ao meu lado e ficamos em silêncio olhando uma folha que dançava ao sabor do vento.

- E o namorado? - Ele perguntou ainda olhando para o chão.

- Terminamos. - Eu disse quase sorrindo.

- Ué... mas você está... feliz? - Ele parecia confuso.

- Digamos que... eu estou em paz.

- Você realmente me surpreende a cada dia que passa.

- Por que diz isso?

- Nada não...

Ficamos em silêncio mais uma vez.

- E aí? Fez o que de bom hoje? - Eu tento puxar assunto.

- Nada demais... Escola é sempre igual! Mas terminou o namoro porque mesmo?

- Digamos que seria injusto eu ficar com ele gostando de outra pessoa.

- Ah... saquei!

Mais um pouco de silêncio.

- Bom... Eu tenho que ir agora... tenho uma pesquisa imensa pra fazer.

- Tudo bem, eu também tenho umas coisas pra fazer aqui.

Nós nos levantamos e ele se despediu de mim com um abraço. Meu coração estava acelerado, eu sabia que tinha pouco tempo. Que aquele abraço logo acabaria e então eu me arrependeria por não ter aproveitado aquela chance. Não pensei novamente. O beijei. Meu coração agora galopava no meu peito e as pernas não conseguiam me manter de pé. Quando nos afastamos entrei em casa correndo e bati a porta.

Fiquei parada encostada na porta tentando assimilar o que acabara de acontecer. Então fui até a cozinha, bebi um copo d'água - com as mãos trêmulas - e voltei ao que estava fazendo no computador. Estava escrevendo um e-mail para ele.

O assunto era: Não tenho coragem de te olhar nos olhos...

... E dizer o que você vai ler agora.
Como você já sabe a minha vida é um caos às vezes, principalmente quando gosto de alguém.
Bem, agora eu pretendo achar um pouco mais de mim.
Me encontrar no meio da confusão que é minha mente, e montar o quebra-cabeças que é meu coração.
E não acho justo te arrastar pro meio disso.
A vontade que tenho é de esquecer o mundo a minha volta e te mostrar tudo o que se passa dentro de mim.
Infelizmente, isso seria muito egoísmo da minha parte.
A verdade é que não tenho coragem de te dizer pessoalmente que EU TE...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Contos # 1

Foi só então que eu descobri.
Que tudo com que eu tinha sonhado jamais se realizaria.
Que eu não ia passar de uma garota com óculos e aparelho.
Que não adiantava ser certinha pois os garotos sempre se interessavam pelas rebeldes.
Que não adiantava eu terminar o colegial. Quando eu fosse pra faculdade meus problemas não iriam sumir.
Eu não dividiria um apê com uma amiga. Não ganharia um carro.
Não encontraria um cara legal na faculdade que não tivesse segundas intenções.
E meus pais não pegariam mais leve no meu pé.
Foi quando tudo enfim ficou claro.
Coloquei postagens desesperadas nos meus sites de relacionamento.
Sabendo que ninguém leria pois, não havia ninguém interessado na minha vida patética.
Só quando encontrassem meu corpo sem vida em algum lugar da cidade, talvez eles sentissem a minha falta.
Da garota que sempre chegava cedo. Nunca faltava às aulas. Sempre ensinava as coisas a quem perguntasse.
E que nunca foi notada. Que sempre foi deixada de lado pelas pessoas que não prestavam atenção na aula e provavelmente pescariam dela durante as provas.
Decidi fazer o que nunca tinha feito em minha vida.
Joguei tudo pra cima!
Saí só com a chave de casa e andei sem destino pelas ruas.
Prestando atenção nas belas casinhas e nos altos prédios.
Observando as pessoas na rua.
Como tudo tinha um certo tipo de padrão.
Um rotina previamente organizada.
Na qual eu também estava inserida.
Mas hoje eu resolvi fazer algo diferente.
Saí correndo pela praia.
Sentindo a areia nos meus pés.
E a água batendo em minhas pernas.
Atirei pedras ao longe.
Senti-me livre como nunca.
Mas sabia que a liberdade não duraria para sempre.
Por mais que eu não quisesse, mais cedo ou mais tarde, teria que voltar para casa e para minha rotina pré-determinada.
Queria poder voar.
Ir para um lugar bem longe onde ninguém pudesse me encontrar.
Ver a cidade por cima de todas as nuvens e fumaça.
Comecei a chutar a água como se fosse uma criança.
Não me importava em parecer ridícula, não hoje.
A praia estava quase vazia.
Gotas salgadas molhavam o meu rosto, mas não era água do mar.
No meio da minha nostalgia ouvi meu nome.
Alguém me gritava ao longe.
Me virei mas não vi ninguém conhecido.
Apenas um vulto com uma camisa xadrez.
Então sorri como criança que quer brincar.
Comecei a correr pela areia, fugindo de quem quer que fosse querendo me encontrar.
Corri o mais depressa que pude mas a pessoa só se aproximava.
E eu cansei.
Então ele segurou meus pulsos.
- Marcos o que você faz aqui?
- Eu vim atrás de você.
- Pra quê?
- Pra que você não fizesse nenhuma besteira.
- E por que você se importaria com isso? Ninguém se importa com o que eu faço!
- Eu me importo!
- Como você soube que eu estava aqui?
- Eu vi na sua página da internet.
- Eu acho que eu não estou compreendendo...
- Eu tenho uma forma simples de te explicar: Eu te amo! Eu sempre te amei. Todo esse tempo. Mas você nunca me enxergou.
- Você realmente está me deixando confusa. Mais do que eu já estava. - O peso do meu corpo quis me puxar para o chão, mas ele me segurou.
- Deixa eu te mostrar então.
Foi quando aconteceu: O beijo.
O momento mágico que constrói, transforma e recria a vida insignificante de algumas pessoas como eu.